Sobre o Tempo, o Silêncio e "Ainda é Pouco"
Escrevo essa carta com o coração ainda vibrando na frequência do que acabamos de construir. Vocês sabem que minha relação com a música nunca foi sobre pressa, mas sobre verdade. E a verdade é que, durante muito tempo, eu achei que precisava correr contra o relógio para ser ouvida. Eu me sentia naquele dilema sufocante: esperar ou correr?
Mudei de vida aos 27, deixei minha cidade aos 31 para viver de arte. E nesse caminho, a gente é levado a acreditar que precisa estar em movimento o tempo todo, produzindo, lançando, gritando para não ser esquecida. Mas foi no silêncio de uma pausa forçada que eu percebi algo fundamental: o silêncio também fala. E ele fala alto.
"Ainda é Pouco" nasceu de um desabafo. Sabe aquela sensação de nadar, nadar e sentir que o horizonte não chega? De olhar para o lado e ver que as mesmas pessoas que te pedem calma são as que te lembram que o tempo não para? Essa música é o meu grito contido contra essa engrenagem que tenta transformar nossa sensibilidade em mercadoria.
Essa música é sobre a culpa de parar, mas também sobre a persistência de continuar respeitando o meu próprio tempo. É um alerta para todos nós: não deixem que as cobranças matem o que há de mais vivo em vocês.
"Ainda é Pouco" não é só o meu segundo single dessa fase Relevuras. É um pedaço da mulher inteira que me tornei. É um convite para a gente dançar nesse groove orgânico, mas também para a gente pensar: o que estamos fazendo com o nosso tempo?
Espero que essa música encontre vocês no momento certo. Que ela seja companhia na noite, na festa, ou naquele instante de dúvida em que tudo o que a gente precisa é saber que não está sozinho nessa corrida.
Com todo o meu amor e verdade,
— THAMI